Pular para o conteúdo principal

O que você fez comigo e (com a gente) com você.

É pior do que bater com o dedinho na quina do móvel. Porque começa a passar no exato momento que a gente grita o bom e alto "Putaquepariu!" e a dor, pontuda e efêmera, vira uns gemidos que se esquecem muito rápido.
É pior do que ressaca. Toda ressaca vale à pena, dizia um amigo meu que foi morar em Paris. E deve valer mesmo. É compensação, um dia de alegria a mais, no dia seguinte o universo que não é bobo nem nada te cobra com juros, dor de cabeça , enjôo e sede.
É pior do que comer jiló. Eu gosto de jiló.
O que você tem feito comigo, meu bem, não pode ser coisa nossa. Dá para acabar com a nossa história antes de você começar com isso? É possível por fim no que nunca começou e durou tanto tempo?
Sabe, isso é pior do que acordar com medo no meio da madrugada. Quando isso acontece tem sempre a tela brilhante do computador te chamando para alguma coisa, você poderia estar lá ainda, de madrugada e meu. De qualquer forma eu tenho um blog e quando a gente escreve o tempo passa mais rápido (dizem).
É pior do que pimenta. A gente tem a opção de não comer pimenta.
É pior do que saudade de quem viajou para longe. Há sempre a certeza que um dia se volta além dos cartões-postais para a coleção.
É pior do que repetir de ano. Um dia a gente passa dele.
É pior do que traição. Traição a gente tira de letra.
Sei lá, cara, é pior do que ele fez. Ele ainda me liga no ano-novo e no meu aniversário e a sua ignorância chega a ser tão ingênua que eu o perdôo de coração e até sinto saudade.
O que você tem feito é pior do que o Osama, o golpe de 64 e o Bolsonaro. É pior do que o time do Vasco no início do ano, muito pior do que a música do Felipe Dylon.
O que você tem feito é pior que covardia, arrogância e pretensão. É pior do que misturar marrom com cor-de-laranja e pior do que assistir o Domingão do Faustão.
Tem sido muito ruim conviver com essa sua pior atitude do mundo. Será que tem volta? O que você fez, e tem feito é pior do que brigar com o melhor amigo, do que ver o nosso amor chorando. É pior do que ver sofrer quem a gente ama, do que acordar e não fazer a cama, do que levar mordida de formiga, de abelha. Pior que queimadura de sol, do que ralar o joelho no cimento, chutar a bola na casa do vizinho. É pior do que despedida em rodoviária de cidade pequena, do que café frio e sem açúcar, do que coceira nas costas e frio nos pés.
O que você fez comigo tem ardido tanto, toda hora e mais ainda aos sábados. Não deve ter jeito de passar... não tem nada pior... ah sim, o que você fez comigo, meu bem, só não é pior do que o que eu fiz com você.

Postagens mais visitadas deste blog

Boa Sorte

     Sinto, Vovô, ainda sinto tanto. Sua falta, seu cheiro, sinto como se você não estivesse aqui. E de fato não está, estará? Esses cheiros etílicos, esses brancos que muito brancos, essas moças que mal saíram da faculdade e acham que podem te cuidar. Logo o senhor, tão complexo, logo o senhor que nem nos meus quase 30 anos, pude dar conta de abarcar.      Elas não sabem que já fora campeão de atletismo, que já nadara no Rio Tietê quando ainda era limpo. Não sabem que deixara uma fila de mulheres apaixonadas quando escolhera Vovó. Não sabem do seu talento para descascar camarão ou como, em quase 80 anos, fora muito pobre, quase rico e pobre de novo.      Sinto ter que vir aqui e olhar o senhor assim, esse sobe e desce de maca, esses exames que te reviram por dentro sem contar nada de novo. É pulmão, é rim, que mais? Eles não sabem que o senhor é diferente, que jamais concordaria com tudo isso. Ah, se eles soubesse...

Juliana

Na primeira vez ela estava em pé em cima da cama. Alheia aos fios que a cercavam ou a "acercavam", vai saber. Ela chamava quem passasse na sua frente. Me assustei com aquele jeitão, parecia que me conhecia. Ela me ultrapassava, como se soubesse o que eu iria dizer. Virava as páginas antes que eu terminasse de ler, devorava as figuras com os olhos. "É que eu não tenho muito tempo". Eu não sabia. Juliana tinha os dois olhos pretinhos pretinhos. Dificilmente ria. Sempre dava ordens, queria saber tudo, tudo o que podia saber dali, daquele pedacinho, que ela dominava como ninguém. As respostas eram sempre diretas e curtas. Gosta disso? Não. Gosta daquilo? Não. Acha o Tiago bonito? Não. Quer ser minha mamãe? Como? Vai fazer mamá pra mim? Mas eu não sei fazer! Quando os nossos livros acabavam, antes mesmo da última página ela pedia "outro", mais para não perder a companhia do que pela leitura, é que ela não tem tempo, ela não sabe mas sente. Eu ali já sabia...

Sobre saudade e vômito

Virose é que nem saudade. Você não vê. E te fode. O corpo estava todo dolorido, não dolorido deixa eu pegar uma xícara de chá e assistir The Big Bang Theory, dolorido deixa eu dar um chute no teu rabo. O telefone que eu quebrei quando algo quebrou aqui dentro (seriam as algemas de pelúcia?), não pode mais me distrair. Lembro dos olhos de jabuticaba dela e do cheirinho dela. Da voz, da língua grande que já foi presa, lembro de todos os nossos segredinhos. O estômago dá um duplo twist carpado. Lá vem. E suja a roupa, o lençol, o chão. Alguém limpa meus sapatos e eu fico profundamente agradecida por isso. Eu podia trepar contigo agora, sabia? Se eu não fosse vo... mais uma vez. Durante é muito ruim, será que cheirar é assim? Mas depois até que vem uma onda legal. Como se as coisas fossem dar certo. Inevitável não lembrar dela. Dos mil beijinhos, dos braços magros. "Você agora usa soutien, é?". A gente ficou deitada. Todo o meu amor não me completa, eu preciso de você també...